Clube do Livro e Encontros Literários criam espaços de troca, ampliam o repertório literário e aproximam crianças e adolescentes de diferentes experiências de leitura
A formação de leitores vai além da escolha de um livro e do cumprimento de uma meta de leitura. No Colégio Marista São José – Barra, estudantes participam de projetos que transformam a literatura em espaço de descoberta, troca e participação. O Clube do Livro, destinado aos estudantes do 6º e 7º ano, e os Encontros Literários, voltados para as turmas do 4º e 5º ano, promovem experiências de leitura que estimulam a autonomia, o repertório literário e a participação ativa dos estudantes. Nos Encontros Literários, os estudantes têm contato com uma curadoria de obras selecionadas a partir de características em comum, como gênero, subgênero ou tema, cada participante escolhe o livro que deseja ler e, a cada quinze dias, o grupo se reúne para conversar sobre o andamento das leituras e compartilhar impressões. A proposta busca contribuir para a formação de leitores mais autônomos e ampliar as possibilidades de contato com autores, histórias e gêneros diversos.
“Quando o estudante participa da escolha do que vai ler, ele começa a perceber seus próprios interesses e a descobrir possibilidades que talvez não procurasse espontaneamente. A leitura passa a fazer parte de uma experiência de escolha, descoberta e construção da própria identidade leitora”, explica Ileana Eugenio, bibliotecária do Colégio Marista São José – Barra. Ao longo dos encontros, a equipe identificou mudanças na relação dos estudantes com os livros, a curadoria ampliou as possibilidades de escolha e despertou o interesse por obras que poderiam não fazer parte das primeiras opções das crianças. Entre os casos observados está o de uma estudante do 4º ano que escolheu ler Sonho de uma Noite de Verão. Após enfrentar dificuldades iniciais, ela se envolveu com a história, cumpriu a meta de leitura e passou a recomendar a obra aos colegas.
Outra experiência envolveu uma estudante do 5º ano que chegou ao primeiro encontro afirmando não gostar de ler. Depois de escolher Desventuras em Série – Volume 1, a estudante se envolveu com a narrativa e passou a procurar os demais volumes da coleção por iniciativa própria, fora dos encontros. “O envolvimento com uma obra pode acontecer de formas muito diferentes. Por isso, criamos situações em que o estudante possa falar sobre o que leu, levantar hipóteses, construir personagens, imaginar mudanças no enredo e refletir sobre a história. Essas atividades ajudam a transformar a leitura em uma experiência ativa”, afirma Ileana.
No Clube do Livro, os estudantes do 6º e 7º ano partem de uma obra escolhida em conjunto. Os encontros são realizados quinzenalmente e funcionam como um espaço de conversa sobre personagens, acontecimentos, temas e diferentes interpretações da história. Ao final de cada ciclo, os estudantes participam de propostas relacionadas à obra, como mapas mentais, descrição e construção de personagens e atividades criativas. A participação dos estudantes na escolha das obras é parte central da proposta. A iniciativa busca fortalecer o vínculo com a leitura e criar uma comunidade leitora na qual diferentes interpretações possam ser compartilhadas.
“O espaço de conversa é muito importante porque permite que cada estudante perceba que uma mesma história pode despertar diferentes impressões. Eles aprendem a ouvir, argumentar, compartilhar suas ideias e reconhecer outras formas de interpretar uma obra”, destaca a bibliotecária. As experiências vividas nos Encontros Literários deram origem a um relato submetido por Ileana à Coletânea de metodologias inovativas na Educação Básica, da Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (ANEC). O trabalho foi aceito para publicação na coletânea, reunindo experiências e reflexões desenvolvidas a partir dos encontros realizados no Colégio Marista São José – Barra.
Entre os relatos apresentados está o de um estudante que, após a leitura de Sobrado Mal-Assombrado, demonstrou entusiasmo ao compartilhar suas impressões com o grupo. Segundo relato da família, ele passou a consultar o dicionário para compreender palavras desconhecidas encontradas durante a leitura, indicando maior envolvimento e autonomia no processo leitor.
Para Ileana, experiências como essas ajudam a construir uma relação mais significativa com a literatura desde os primeiros anos do Ensino Fundamental. “Nos dois projetos, buscamos mostrar que a literatura pode ser uma experiência de descoberta, criatividade e troca. Quando o estudante encontra espaço para escolher, conversar e criar a partir do que leu, ele passa a construir uma relação mais própria com os livros e com a leitura”, conclui.
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