IARAH transforma saudade e luto em homenagem emocionante no single “Ao Menos Uma Vez”

Luca Moreira
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IARAH
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A cantora e compositora IARAH apresenta “Ao Menos Uma Vez”, novo single lançado pela Marã Música no dia 29 de maio, mergulhando em sentimentos profundos ligados ao luto, à memória e à ausência. Escrita como homenagem ao avô paterno da artista, a faixa combina melancolia, intensidade emocional e uma interpretação sensível para transformar lembranças fragmentadas em música. Em entrevista, IARAH fala sobre o processo íntimo de composição, a experiência emocional no estúdio e a forma como a arte se tornou um caminho para ressignificar a saudade e manter viva a conexão afetiva com quem partiu cedo demais.

“Ao Menos Uma Vez” nasce de uma ausência muito íntima e antiga. Em que momento você sentiu que essa saudade do seu avô precisava virar música?

Foi algo muito natural, na verdade. Não existiu um momento exato em que eu pensei: “preciso transformar isso em música”. Eu já estava finalizando as composições do álbum quando comecei a sonhar muito com o meu avô, rever fotos dele, lembrar de pequenos detalhes e sentir essa presença de novo de alguma forma. Acho que a música acabou surgindo como uma necessidade emocional, quase como uma conversa que eu precisava ter com ele. Então escrever sobre isso foi muito importante para mim.

Você fala de lembranças fragmentadas, quase como sensações soltas no tempo. Como foi transformar memórias tão delicadas e incompletas em uma canção tão emocionalmente inteira?

Foi mais fácil do que eu imaginava que seria, porque a letra veio de uma forma muito honesta e espontânea. Parecia que eu estava finalmente colocando para fora sentimentos e memórias que estavam guardados há muito tempo. Mesmo sendo lembranças fragmentadas, elas carregavam emoções muito fortes, e acho que foi isso que ajudou a música a se tornar tão inteira emocionalmente. Às vezes, a gente não lembra exatamente dos detalhes, mas nunca esquece o que aquela pessoa fez a gente sentir.

IARAH
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A faixa mistura peso e melancolia de uma forma muito marcante. Como você trabalhou essa sonoridade para que ela traduzisse o luto sem perder a delicadeza da homenagem?

Foi um trabalho muito conjunto entre mim, o Marco e o Maurício. Eu levei para eles uma ideia inicial de melodia que já carregava bastante emoção, e juntos fomos construindo a parte instrumental para traduzir esse peso emocional sem perder a sensibilidade da homenagem. Foi um processo delicado, porque eu queria que a música transmitisse dor, saudade e vazio, mas também muito amor. Encontrar esse equilíbrio foi desafiador, mas acredito que conseguimos fazer isso de uma forma muito verdadeira.

Você comentou que a música começou pela melodia, antes mesmo da letra tomar forma. O que havia nessa melodia inicial que já carregava o sentimento de “Ao Menos Uma Vez”?

Acho que existia principalmente muita tristeza e nostalgia. A melodia já tinha esse sentimento de ausência antes mesmo da letra nascer. Existe uma dor muito silenciosa em perceber que você começa a esquecer pequenos detalhes de alguém que foi tão importante na sua vida, e eu sinto que essa sensação já estava inteira ali desde os primeiros acordes.

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Escrever essa música parece ter sido também uma forma de se reconectar com seu avô, quase como tornar essa falta algo palpável. O que esse processo despertou em você, para além da composição?

Foi um processo muito delicado, mas também um processo de cura. Acho que a gente nunca supera completamente o luto, ele sempre acompanha a gente de alguma forma, mas escrever essa música me ajudou a olhar para essa dor com mais carinho. Me fez revisitar memórias, sentimentos e até partes de mim que estavam muito guardadas. No fim, sinto que foi uma maneira de eternizar o amor e a importância que ele teve na minha vida. Espero, de verdade, que onde quer que ele esteja, ele consiga sentir isso.

Muitas pessoas vivem o luto tentando preservar pequenos fragmentos de quem partiu. Você sente que essa canção também fala sobre a necessidade humana de manter viva a presença de alguém através da memória?

Com certeza. Acho que a música fala muito sobre essa tentativa quase desesperada de preservar detalhes de alguém que já se foi. Principalmente em trechos como “e na memória ainda busco um sinal, mas só o vazio da sua ausência é o que restou” ou “as fotos sumiram, o seu cheiro também, então me diz por que eu ainda choro por você”. Esses versos representam muito essa dor de perceber o tempo apagando certas lembranças, enquanto o sentimento continua vivo dentro da gente. É uma música sobre saudade, mas também sobre amor e permanência.

Você disse que se emocionou muito no estúdio vendo a música ganhar forma. Em um trabalho tão pessoal, como foi viver esse momento de ouvir sua dor e sua homenagem se transformando em som?

Foi extremamente emocionante. Acho impossível passar por um processo assim sem se emocionar, porque enquanto a música vai tomando forma, você também vai revisitando memórias, momentos e sentimentos muito profundos. Existe a dor de entender que aquela pessoa não vai voltar, mas ao mesmo tempo existe algo muito bonito em conseguir transformar tudo isso em arte. Foi quase como dar voz a sentimentos que eu carreguei em silêncio por muito tempo, e ouvir isso acontecendo dentro do estúdio foi uma experiência muito intensa e especial para mim

Ao lançar “Ao Menos Uma Vez”, o que você mais espera que o público encontre nela: identificação, conforto, acolhimento ou a sensação de que a saudade também pode ser uma forma de amor que continua?

Acho que um pouco de tudo isso. A saudade é inevitável quando a gente ama alguém profundamente, e cada pessoa vive o luto de uma maneira diferente. Mas espero que a música possa trazer identificação, acolhimento e até conforto para quem ouvir. Acima de tudo, acho que ela deixa uma mensagem muito importante sobre valorizar as pessoas enquanto elas ainda estão aqui. No fim, o amor continua existindo na memória, na saudade e em tudo aquilo que aquela pessoa deixou dentro da gente.

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