Renascendo em suas identidades musicais, jøta se entrega por completo em “O Pior de mim”, faixa que traz forte pegada do rock alternativo com veia pop. Num mergulho intimista para encarar seus próprios demônios, o artista revela problemas que circulam o imaginário de diversas pessoas. A música chega com um clipe.
Nascido e crescido em Sorocaba, em São Paulo, jøta teve diversos projetos musicais e bandas em sua trajetória, transitando do pop e rock alternativo até o emo e pop punk. Agora, ele quer unir todas essas identidades e sonoridades em um projeto solo que explora suas inseguranças e incertezas, com o objetivo de enfrentá-las e superá-las por meio da arte.
Com beats de Matheus Zanetti e produção, mix e master de João Hassuike, “O Pior de Mim” está disponível em todas as plataformas de streaming. Confira a entrevista!
Como uma experiência de auto-leitura de seus próprios demônios, a faixa “O Pior de Mim”, você acaba revelando problemas que circulam no imaginário de diversas pessoas. Poderia falar um pouco mais da experiência de ter feito essa leitura?
Sempre tive uma luta interna com minhas inseguranças e sentimentos ao decorrer de toda minha vida, tanto na vida pessoal, quanto na vida profissional, acredito que, todos nós enfrentamos diversos desafios ao longo do tempo, e muitas vezes, não conseguimos suportar! “O Pior de Mim” mostra um pouco dessa dificuldade, em tentar ser forte o tempo todo, tentar se mostrar bem para o mundo! Quando você na verdade não precisa estar bem constantemente. Esse é um dos grandes desafios de uma pessoa que enfrenta esses problemas.
A respeito da inspiração para a criação dessa música, como costuma funcionar o seu processo de composição? Essa sua visão sobre o imaginário de diversas pessoas, partiu de seus próprios pensamentos ou foi baseada em observações do mundo?
Eu gosto de escrever sobre minhas vivências, sobre o que acontece no meu dia a dia, seja no passado, seja no presente, toda história é válida de ser trabalhada se for feita com o coração! Geralmente escrevo primeiro a melodia em algum instrumento, no teclado, no violão e baseado na emoção que ela passa, busco a história que melhor se encaixa pra aquele sentimento ser contado na música!

Em sua formação, a música revela algumas inseguranças e incertezas que teve na vida, além das dificuldades de conviver com essa doença que afeta tantas pessoas. Muito se fala hoje sobre a utilização da música como terapia, no caso de “O Pior de Mim”, ela causou um efeito positivo em relação a sua própria vida?
Sem sombra de dúvidas, “O Pior de Mim” foi o ponto chave para um momento muito difícil, eu estava na época perdido, fazia muito tempo que eu não escrevia nada, então num dia sozinho em meu quarto, eu sentei em frente ao teclado e comecei a tocar aleatoriamente o que eu estava sentindo no momento. Lembro que cheguei a ficar emocionado com o que eu havia tocado e o processo de composição foi natural. Acredito que, na música muitas vezes é isso, algo instantâneo que no momento que você menos imagina, torna-se o ponto de virada e acaba sendo algo único e grandioso.
Como uma doença que afeta milhões de pessoas, a depressão é algo bastante sério, e que inclusive pode tirar a vida de muitas portadores dessa doença. Infelizmente, ela ainda entra em muitos clichês, principalmente em debates de pessoas que são desinformadas sobre suas consequências. Qual foi o momento mais difícil para conseguir passar esse sentimento para o papel?
Acredito que foi quando eu escolhi falar sobre esse tema, eu estava ciente de como era um assunto importante e também delicado, eu sofro com a depressão desde os meus 12 anos, e o momento que eu escolhi trabalhar em cima disso, aconteceram muitas coisas ao mesmo tempo, foi quando percebi que, seja parente, seja amigo, seja um ídolo, qualquer um podia ter esse final trágico, isso me deixou preocupado e perdido com o sentido da vida. Dali em diante passei a olhar com outros olhos, vi que mesmo sendo um assunto bastante comentado, as dificuldades para se encontrar suporte e enfrentar continuavam sendo as mesmas. E tentei através da música, trazer um pouco do que eu sei que milhões de pessoas sentem.

A sua musicalidade é marcada por uma navegação grande entre gêneros e estilos musicais, indo do pop, rock alternativo, emo, além do pop funk. Nesse caso, você teria alguma forma de definição específica para a sua música?
Eu sempre gostei da ideia de a música ser algo que unifica as pessoas, é normal a gente sempre querer encaixar rótulos, gêneros para se enquadrar em um determinado posto dentro da música, mas na arte, toda forma de se expressar é válida, acho que dentro do que eu busco passar através do sentimento, da energia, me denominar para algum estilo específico é o que menos importa.
Para finalizarmos, a respeito de “O Pior de Mim”, qual é a principal mensagem que deseja passar para seus ouvintes e como tem sido o retorno que recebeu dele?
Que existe sempre uma saída, nunca devemos desistir! Mesmo que as dificuldades existam, a vida é importante, você é importante e nunca deve se esquecer disso, se estiver enfrentando problemas, busque ajuda imediatamente! Saiba que essa doença tem cura.
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