Para Soleil, olhar para o passado não significa permanecer presa a ele. Em “Heart Strings”, a cantora, compositora e DJ americana transforma o fim de um relacionamento em uma narrativa sobre aprendizado, amor-próprio e retomada do próprio poder. Com o passar do tempo, a artista também passou a compreender de outra forma o papel que aquela experiência teve em sua vida: “Eu era uma pessoa diferente naquela época e fiz o melhor que podia com a experiência de vida que tinha”.
Em entrevista, Soleil fala sobre misturar R&B, Soul, Blues, Funk, Jazz e Neo-Soul sem perder a própria identidade, reinventar “Jolene”, de Dolly Parton, e traduzir a dualidade entre melancolia e esperança para o videoclipe de “Heart Strings”. Ela também reflete sobre os riscos de jovens artistas perderem sua identidade dentro da indústria e antecipa o próximo capítulo de sua carreira, que inclui “Rubbish” e uma versão de si mesma que define como “honesta, divertida, vulnerável e sem medo de evoluir”.
“Heart Strings” começa em um lugar de nostalgia e coração partido, mas gradualmente se transforma em uma música sobre amor-próprio e sobre recuperar a si mesma. Em que momento você percebeu que a história precisava deixar de ser tanto sobre a pessoa que foi embora e passar a ser mais sobre quem você estava recuperando depois do fim do relacionamento?
Não houve um momento específico em que percebi que a história precisava mudar.
Quando estava escrevendo “Heart Strings”, eu estava passando pelo fim de um relacionamento, mas percebi o quanto havia aprendido com aquela experiência. Então, desde o início, a intenção sempre foi falar sobre as diferentes fases de um relacionamento e, no final, recuperar o meu próprio poder.

Você descreve a música como uma jornada pelas diferentes fases de um relacionamento que estava longe de ser ideal. Existe alguma parte da letra ou da música que você compreende hoje de maneira completamente diferente de quando a escreveu?
Olhando em retrospecto, o terceiro verso fala sobre reflexão e, embora eu não o compreenda de maneira diferente hoje em comparação com quando o escrevi, ele se tornou mais importante para mim porque o tempo passou e hoje compreendo melhor o papel que aquele relacionamento teve na minha vida.
Eu era uma pessoa diferente naquela época e fiz o melhor que podia com a experiência de vida que tinha naquele momento.

A faixa mistura R&B, Soul, Blues, Funk, Jazz e Neo-Soul, enquanto sua carreira também transita por EDM, Amapiano, Afrobeats, Baile Funk e outros estilos. O que precisa permanecer presente em uma música para que ela continue soando inconfundivelmente como Soleil, independentemente do gênero?
A música — independentemente do gênero — realmente precisa fazer você sentir alguma coisa!
Em termos musicais, ela precisa ter um vocal poderoso e cheio de soul, uma ótima linha de baixo, alguns elementos de jazz — mudanças de acordes, síncopes e coisas desse tipo — e uma letra marcante, com bastante atitude.

O videoclipe alterna entre preto e branco e cores para refletir a tensão entre melancolia e esperança. Como você trabalhou com Riccardo Solorzano para transformar emoções tão internas em uma linguagem visual?
A ideia inicial para o videoclipe era editá-lo em preto e branco.
No estúdio, usamos apenas iluminação branca, o que criou naturalmente aquele visual em preto e branco, sem precisar de nenhum filtro.
Adoramos o resultado das duas ideias juntas e concordamos que aquilo representava a dualidade da música e a passagem por diferentes fases.
Já trabalhei com Riccardo diversas vezes e confio na visão criativa e nas habilidades dele como diretor de fotografia. Eu sabia que ele seria a pessoa certa para ajudar a dar vida a essa ideia.

Você começou o verão reinterpretando “Jolene”, de Dolly Parton, antes de apresentar uma música autoral tão pessoal como “Heart Strings”. O que interpretar o trabalho de uma compositora tão icônica ensina sobre sua própria maneira de escrever e contar histórias?
Eu venho do entretenimento, então cantar covers acrescentando minha própria interpretação é algo com que já estou acostumada.
Eu já apresentava nossa versão de “Jolene” havia anos, e ela sempre foi uma das favoritas do público porque tem uma abordagem muito particular.
Eu queria desconstruir a música, deixá-la mais groovy e trazer à tona a vulnerabilidade e o soul presentes na história, em vez de tentar recriar a versão da Dolly.
Isso me ensinou que minha voz naturalmente gravita em direção à emoção e à intimidade, com uma sonoridade de R&B, soul e jazz.

Além do seu trabalho como artista, você orienta músicos emergentes e participa da Recording Academy, Grammy U e Women in Music. O que você gostaria que jovens artistas entendessem sobre construir uma carreira sem perder a própria identidade durante o processo?
A primeira coisa que me vem à cabeça é que jovens artistas precisam entender que a indústria musical é, antes de tudo, um negócio!
Como pessoas criativas, queremos produzir uma arte que tenha significado para nós, muitas vezes sem compreender como o lado empresarial funciona.
Sua identidade pode se perder se você assinar um contrato ruim, trabalhar com pessoas que não estão realmente ao seu lado… Existem muitas situações infelizes — e eu mesma já passei por algumas delas — que podem levar você a perder sua identidade.
É importante entender que isso é um negócio para que você saiba como manter sua identidade sempre em primeiro plano.

“Heart Strings” será seguida por “Rubbish”. Quando colocados lado a lado, o que esses lançamentos revelam sobre o momento artístico em que você está entrando e sobre o que os ouvintes podem esperar do seu próximo trabalho?
Estou entrando em uma versão mais madura da Soleil — uma versão que se expressa de maneira diferente de antes, escreve letras diferentes e também se apresenta visualmente de outra forma.
Cresci muito desde que comecei minha carreira musical, e a música que estou lançando agora representa essa versão de mim.
No fim das contas, estou revelando uma artista que é honesta, divertida, vulnerável e que não tem medo de evoluir.
Meu próximo trabalho continuará refletindo quem estou me tornando.
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