Faixa chega às plataformas digitais nesta sexta-feira (14 de agosto) pela Marã Música e transforma o rock em um manifesto coletivo sobre resistência feminina
Nesta sexta-feira (14 de agosto), a banda Drenna apresenta ao público seu novo single, “Levante”, em todos os aplicativos de música, via Marã Música. Quarto lançamento do álbum “Interregno – O Mundo Depois da Certeza”, a faixa une cinco vozes femininas de diferentes vertentes da música brasileira: Dani Buarque (The Mönic), Ada Bellatrix (FLOR ET), MC Taya e Yasmin Amaral (Eskröta), em um encontro que transforma indignação em força coletiva.
Muito além de uma colaboração inédita, “Levante” surge como um manifesto em forma de rock. A composição aborda temas como assédio, censura, julgamento, silenciamento e as diversas formas de controle impostas às mulheres, propondo uma resposta construída pela união de diferentes vivências.
“‘Levante’ é um manifesto feminista em forma de rock. A música fala sobre situações que atravessam a vida das mulheres diariamente: o assédio, a censura, o julgamento, o silenciamento e, principalmente, o controle que muitas vezes aparece disfarçado de cuidado. A canção parte dessas experiências para construir uma resposta coletiva. Ela não pretende falar por todas as mulheres como se existisse uma única vivência, mas reunir vozes diferentes em torno de uma recusa comum: não aceitar o lugar de submissão que historicamente tentaram nos impor. ‘Levante’ é um chamado para reconhecer o que enfrentamos, ocupar espaços e transformar indignação em movimento. É uma música que nasce da minha voz, mas que só se completa quando se torna um grito coletivo”, explica Drenna.
Musicalmente, a faixa aposta em guitarras densas, baixo e bateria marcantes para criar uma atmosfera intensa, inspirada no rock alternativo, mas também atravessada por influências do punk, hardcore e rap rock. A produção prioriza a força da mensagem, colocando a palavra em primeiro plano.
“A sonoridade vem pesada, direta e com uma energia de marcha. Temos guitarras densas, baixo e bateria muito presentes e um refrão construído para soar como uma convocação coletiva. Cada participação traz uma textura diferente, sem perder a unidade da música. As vozes não aparecem apenas como adornos ou participações isoladas: elas se encontram, se confrontam e formam um coro. O instrumental tem força, mas foi pensado para sustentar a mensagem”, comentam os integrantes.
A origem da colaboração também nasceu de um desejo coletivo. A ideia surgiu após uma conversa entre Drenna e a produtora cultural Márcia Melo, que destacou a ausência de uma música da artista dedicada diretamente ao feminismo. Posteriormente, um encontro com Yasmin Amaral deu início à parceria, que rapidamente cresceu para reunir outras artistas cujas trajetórias dialogam com resistência e representatividade.
“Inicialmente, a música seria cantada por mim e pela Yasmin, mas, conforme a composição crescia, percebemos que ela estava pedindo mais vozes. Foi então que convidei Dani Buarque, Ada Bellatrix e MC Taya. São artistas com linguagens diferentes, mas que carregam posicionamento, presença e trajetórias atravessadas pela resistência. A música deixou de ser apenas um encontro entre duas artistas e passou a representar a união de cinco vozes”, relembra Drenna Rodrigues, vocalista da banda.
A construção da canção começou pela mensagem antes mesmo dos instrumentos. A letra percorre a história da luta das mulheres por direitos fundamentais, lembrando conquistas que só foram possíveis graças às gerações anteriores, ao mesmo tempo em que reforça que esse processo ainda está longe de terminar.
“Antes de pensar no arranjo, eu precisava entender exatamente o que ela queria dizer. A música percorre violências, imposições e silenciamentos que atravessaram diferentes gerações, desde a negação do direito de estudar, trabalhar, votar e decidir sobre a própria vida até formas de controle que ainda hoje aparecem disfarçadas de cuidado, proteção ou tradição. Ela cresce como uma convocação: lembrar de onde viemos, reconhecer o que ainda enfrentamos e transformar essa memória coletiva em força, união e movimento”, afirma a artista.
Com “Levante”, a banda espera que a música ultrapasse o universo do entretenimento e provoque identificação em quem a ouve.
“Queremos provocar uma sensação de força coletiva. Mais do que denunciar o machismo, queremos transformar esse incômodo em energia. Que a faixa funcione como um chamado para não aceitar o silêncio, para questionar estruturas e lembrar que nenhuma transformação acontece de forma isolada. ‘Levante’ é sobre reconhecer a própria voz e entender que, quando muitas vozes se juntam, elas deixam de ser apenas um desabafo e se tornam movimento”, destaca.
Embora ainda não existam novos projetos confirmados envolvendo as cinco artistas, a experiência deixou portas abertas para futuras colaborações.
“Esse encontro revelou uma conexão artística e também uma identificação em relação ao que cada uma defende e representa. Ainda não existe outro projeto oficialmente definido, mas a porta está completamente aberta. ‘Levante’ mostrou que, quando artistas de universos diferentes se encontram em torno de uma mensagem verdadeira, nasce algo maior do que uma simples participação musical”, revela.
O lançamento também será acompanhado por uma campanha audiovisual. No mesmo dia da estreia da música será disponibilizado um visualizer, enquanto um videoclipe oficial já está em fase de planejamento. A proposta visual acompanha a intensidade da faixa, apostando em uma estética inspirada em manifestações, com predominância dos tons vermelho, preto e claros, reforçando o caráter coletivo e direto do projeto.
“A expectativa está enorme. ‘Levante’ representa um momento muito importante dentro da narrativa do álbum e reúne artistas com trajetórias, estilos e públicos diferentes. Mais do que números, queremos que a música gere conversa, identificação e movimento. A maior expectativa é ver as pessoas se apropriando do refrão, cantando juntas e entendendo que esse grito também pode ser delas”, conclui a banda.
CONFIRA A LETRA DE “LEVANTE”:
Nascemos pra desafiar a tudo e a qualquer regra
Enfrentamos o silêncio imposto, a palavra que se nega
Enfrentamos o assédio, o olhar que nos invade
Enfrentamos os sermões que nos negavam a liberdade
Enfrentamos o machismo disfarçado de cuidado
O olhar, a censura, o destino programado.
Enfrentamos a doutrina que nos quer sempre caladas
Reacionários e religiosos com verdades fabricadas.
Enfrentamos a cobrança pra sorrir quando sangramos
Carregamos o mundo enquanto nos julgam fracas.
Enfrentamos a vergonha imposta em nossos corpos
E ainda criamos vida mesmo em meio a tantos mortos.
Enfrentamos sermos chamadas de exagero, de loucura
(Histérica)
Enquanto suportamos a violência mais obscura
Enfrentamos séculos de submissão como destino
Mas tomamos o lugar, o futuro é feminino
(Refrão)
Pelo que fomos
Pelo que podemos ser
Pelo que falta, e o que está por nascer
Pelo que vem — nos erguemos gigantes
Levantem o punho
e brindem ao levante
Enfrentamos sermões que pregam obediência
A culpa enraizada travestida de consciência
Enfrentamos o controle sobre a roupa que vestimos
Sobre o tom da nossa voz, sobre o passo que seguimos
Suportamos os governos que não nos representam
As leis que nos atrasam, os juízes que nos condenam
Enfrentamos a cultura que nos chama de pecado
Mas queimaram as bruxas porque tinham medo do sagrado
Aguentamos salários menores pelo mesmo suor
Aguentamos o medo de andar sozinha ao redor
Aguentamos a história escrita sem nosso nome
Mas seguimos de pé, e ninguém mais nos consome
(Refrão)
Pelo que fomos, pelo que podemos ser
Pelo que falta e o que está por nascer
Pelo que vem, nos erguemos gigantes
Levantem o punho e brindem ao levante
Enfrentamos preconceitos, enfrentamos exclusões
Mas já deu de aguentar ou dar explicações
De certo eu te falo, tamo aqui pra representar
Um Tanto de mulher foda, que conquistou o seu lugar
(Fotos: Divulgação)