A tecnologia mais sofisticada da casa é aquela que desaparece

Rodolfo Gomes
3 Min Read

Automação, iluminação, climatização, áudio e inteligência artificial avançam dentro das residências. Para Camila Pimenta, porém, quanto mais sofisticada a tecnologia, menos ela deveria disputar atenção com a arquitetura.

Durante alguns anos, ter uma casa tecnológica significava mostrar a tecnologia. Telas, equipamentos e sistemas faziam parte da própria demonstração de modernidade.

Esse conceito começa a mudar.

Para a arquiteta Camila Pimenta, a tecnologia mais interessante hoje é justamente aquela que melhora radicalmente a experiência de morar sem exigir protagonismo visual.

“Eu não quero entrar em uma casa e perceber primeiro a tecnologia. Quero perceber o que ela faz por aquela casa.”

Iluminação que se adapta aos diferentes momentos do dia, climatização precisa, controle acústico, cortinas automatizadas, sistemas de áudio integrados, segurança e comandos inteligentes podem estar presentes em praticamente todos os ambientes sem interferir na linguagem do projeto.

O resultado é uma residência extremamente tecnológica, mas que continua parecendo essencialmente uma casa.

“Tecnologia bem integrada não pede atenção. Ela simplesmente faz tudo funcionar melhor.”

Essa evolução também muda a forma de projetar. Para que os equipamentos desapareçam, arquitetura, interiores, iluminação, automação e engenharia precisam conversar desde as primeiras etapas. O que antes muitas vezes entrava no f a no final da obra passa a fazer parte da concepção do espaço.

Camila acredita que a inteligência artificial deve aprofundar ainda mais essa transformação. A tendência é que as residências deixem de depender tanto de comandos os e e passem a compreender hábitos, antecipar necessidades e adaptar ambientes de maneira cada vez mais natural.

Mas existe um limite importante.

“A casa pode aprender a rotina do morador. Ela não precisa assumir a personalidade dele.”

Para a arquiteta, tecnologia deve trazer conforto, eficiência e liberdade, sem tornar os ambientes impessoais ou datados pela presença excessiva de equipamentos.

No fim, a inovação mais interessante talvez seja justamente aquela que quase não percebemos.

“A verdadeira sofisticação tecnológica acontece quando deixamos de enxergar a tecnologia e passamos apenas a sentir o conforto que ela proporciona.”

(Crédito: Arquivo Pessoal)

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