AÉREA revisita suas raízes brasileiras em versão acústica de “Balde D’Água”

Luca Moreira
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AÉREA (Alexandre Chang)
AÉREA (Alexandre Chang)

A banda AÉREA apresenta uma nova leitura de sua identidade sonora com o lançamento de “Balde D’Água (Acústico)”, releitura que aposta em uma atmosfera mais orgânica e intimista sem abrir mão da intensidade característica do grupo. Inspirada em ritmos populares brasileiros e marcada por elementos percussivos, a faixa ressignifica uma das músicas de destaque do EP AÉREA ao abordar temas como resiliência, ancestralidade e força cotidiana. Em entrevista, os integrantes falam sobre o processo coletivo de criação, a conexão com as raízes brasileiras e a busca por novas possibilidades artísticas dentro de sua mistura entre peso, poesia e brasilidade.

“Balde D’Água” já era uma faixa forte na versão original, mas agora ganha uma leitura mais íntima e orgânica. O que essa releitura acústica permitiu revelar sobre a música que talvez antes estivesse mais escondido?

Essa versão destacou ainda mais a brasilidade na concepção da AÉREA. O protagonismo da voz, o coro com palmas no final da música, as percussões revelam as referências da banda. Não tem como negar as influências de Sepultura, Chico Science, O Rappa, Gal Costa, Elis Regina. (Jansen)

Vocês falam de um mergulho nas raízes brasileiras, especialmente em ritmos como ciranda e maracatu. Como essa conexão com a brasilidade ajuda a definir a identidade sonora da AÉREA?

A brasilidade tá no sangue. Somos brasileiros vivendo esse ambiente sonoro, rico em arte e cultura desde sempre. A identidade da AÉREA se forma a partir da fusão dom bom e velho heavy metal com a música popular brasileira. (Jansen)

A letra da música nasce de biografias contadas pela mãe, somadas às próprias vivências e a tantas histórias parecidas. Como esse encontro entre memória pessoal e experiência coletiva foi moldando a essência de “Balde D’Água”?

Às vezes os processos de composição são como downloads. Nem sempre é calculado. Balde D’água trouxe esses elementos biográficos e coletivos de forma muito natural. O cotidiano, as memórias, estão no inconsciente e manter as portas da mente abertas é uma das formas de canalizar isso. (Shallana)

Há algo muito bonito na ideia de transformar uma faixa marcada por força e resistência em uma versão mais crua e sensível. Como vocês equilibraram delicadeza e intensidade nesse novo arranjo?

Desde o início, a ideia da versão acústica sempre foi manter o peso característico da AÉREA, permitindo uma sonoridade mais crua, que trouxesse um ambiente mais puro, mais raíz. A concepção do arranjo e a escolha dos instrumentos como o violão de nylon do Tony, a alfaia, a escaleta, trouxeram o equilíbrio que a música pedia. (Shallana)

AÉREA (Alexandre Chang)
AÉREA (Alexandre Chang)

O processo criativo coletivo parece ter sido central para essa versão. O que acontece com a música quando ela deixa de ser apenas uma composição e passa a ser também um espaço de descoberta entre vocês como banda?

A gente acredita no processo criativo espontâneo. Por exemplo, quando surgiram as primeiras conversas sobre a Balde Acústico, vimos a chance de incluir o baixo “Maria- Gorda” que já é um instrumento extremamente familiar pro Fábio, que dialogou perfeitamente com a proposta. E dessa mesma forma o arranjo todo foi surgindo. (Jansen)

A AÉREA transita entre o peso do metal alternativo e progressivo e a riqueza da música brasileira. Como vocês constroem esse diálogo entre universos que, à primeira vista, poderiam parecer distantes?

Talvez não exista mesmo essa distância. Talvez a AÉREA enxergue essa conexão porque o que existe de fato é a Música. Esses Universos, aparentemente distintos, se encontram em suas semelhanças nos grooves, nas letras, na atitude. (Jansen)

O lançamento também vem acompanhado de um vídeo com imagens das gravações, aproximando o público do processo criativo. O que havia de importante para vocês em mostrar também os bastidores e a atmosfera desse momento?

O vídeo é uma forma de compartilhar a concepção do arranjo, convidar o público à essa imersão no processo criativo. (Shallana)

Ao revisitar “Balde D’Água” um ano depois do EP, o que essa canção representa hoje dentro da trajetória da banda e o que vocês esperam que o público sinta ao redescobri-la nessa nova forma?

A ideia de fazer a versão acústica, coincidiu com o aniversário de 01 ano do EP AÉREA. Ela veio como um alto-falante para que mais pessoas viessem a conhecer a banda. A intenção é dividir com o público o nosso fluxo criativo. (Jansen)

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