Em Let It Fall, Shedrack Anderson III transforma vivências pessoais, reflexão e sensibilidade em um álbum marcado por soul, cura e renovação emocional. Em entrevista, o ator e artista musical fala sobre a maturidade que atravessa seu terceiro disco, a relação entre música e storytelling em sua trajetória multifacetada e o desejo de construir um legado baseado em autenticidade, inspiração e conexão humana.
Let It Fall mistura R&B, jazz soul e uma atmosfera profundamente reflexiva. Como você descreveria o núcleo emocional deste álbum?
O núcleo emocional de Let It Fall é simplesmente se render. Trata-se de aprender a soltar aquilo que já não te serve mais — seja luto, expectativas, relacionamentos ou versões antigas de si mesmo. O álbum vive nesse espaço entre se agarrar e deixar ir. É uma vibração, e eu queria que cada música soasse honesta, cheia de alma e repleta da nossa humanidade. No coração dele, está a lembrança de que, às vezes, a cura começa no momento em que paramos de resistir à vida e permitimos que ela se desenrole naturalmente.
O projeto parece dialogar com temas como crescimento, cura e renovação emocional. O que mais te interessava em explorar essas ideias neste momento da sua trajetória musical?
Este álbum surgiu em um período de profunda reflexão para mim. Eu vivi sucesso, perda, crescimento e transformação, e acho que essas experiências naturalmente encontraram seu caminho dentro da música. Perder meu pai teve um impacto profundo em mim, e criar este álbum se tornou parte do meu processo de cura. Eu não estava interessado em criar músicas que apenas soassem bem — eu queria criar músicas que pudessem me acompanhar, e também acompanhar outras pessoas, em momentos reais de suas vidas.
Este é o seu terceiro álbum oficial, depois de projetos como Hamilton Park e Enigmology. Como você enxerga a evolução da sua identidade artística até chegar a Let It Fall?
Cada projeto representa um capítulo da minha vida. Hamilton Park explorava identidade e criatividade. Enigmology era sobre curiosidade, exploração e romper limites. Let It Fall é o trabalho mais pessoal e maduro que eu já criei. Fiquei menos preocupado em provar alguma coisa e mais focado em dizer a verdade. Como artista, aprendi que a autenticidade ressoa mais profundamente do que a perfeição.

Sua carreira passa por atuação, música, direção, produção e educação. Como todas essas linguagens criativas se conectam na forma como você conta histórias hoje?
Para mim, todas são expressões diferentes da mesma coisa: contar histórias. Seja atuando em um filme, dançando, cantando, compondo música, dirigindo uma cena ou ensinando um aluno, estou ajudando as pessoas a se conectarem com algo que possam sentir, algo que tenha significado para elas. A dança me ensina controle. A música me ensina ritmo. A atuação me ensina empatia. A direção me ensina perspectiva. As artes marciais me ensinam a voar. Ensinar me ensina serviço. Juntas, elas formam um artista mais completo e um ser humano mais completo. Esse é o meu objetivo.
Você construiu uma carreira sólida no cinema e na televisão enquanto continua expandindo sua música. O que a música te permite expressar de uma maneira que a atuação nem sempre alcança?
A atuação me permite entrar na história de outra pessoa. A música me permite contar a minha própria. Existem emoções, memórias e experiências espirituais que podem ser difíceis de comunicar apenas por meio do diálogo. A música me dá acesso direto a esses sentimentos. É uma das formas mais puras de comunicação porque consegue falar com as pessoas para além das palavras. Isso já foi dito antes, mas é realmente uma linguagem universal. É uma frequência vibracional, e eu sempre a elevo para lugares positivos.
Let It Fall foi concebido quase como uma trilha sonora para diferentes momentos da vida cotidiana, de viagens noturnas de carro à introspecção. Como foi criar um álbum com essa abordagem tão sensorial e cinematográfica?
Minha formação no cinema certamente influenciou esse processo. Sou um estudante constante do cinema. Eu amo filmes. Muitas vezes visualizo cenas quando estou escrevendo música. Eu queria que os ouvintes sentissem que estavam atravessando uma série de paisagens emocionais. Uma viagem de carro tarde da noite. Uma manhã silenciosa. Um momento de reflexão após uma perda. Um momento de esperança depois de um coração partido. Eu abordei o álbum quase como uma trilha sonora para a vida cotidiana, em que cada música se torna uma companhia para uma experiência específica.
Olhando para este momento da sua carreira, entre novas músicas e projetos de cinema, que tipo de legado artístico você sente que está construindo agora?
Espero que esse legado seja de inspiração, motivação, autenticidade e serviço. Passei a vida explorando a criatividade por meio de muitas formas diferentes, mas o fio condutor sempre foi ajudar as pessoas a descobrirem o que é possível dentro delas mesmas. Seja ouvindo uma música, assistindo a um filme, fazendo uma das minhas aulas ou lendo uma entrevista como esta, espero que saiam se sentindo mais conectadas ao próprio propósito. Se o meu trabalho encoraja as pessoas a crescer, curar, criar e viver plenamente, então eu fiz o meu trabalho. Muito amor.
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