Tanner Beard fala sobre Blood Behind Us, emoção e resistência no cinema independente

Luca Moreira
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Tanner Beard
Tanner Beard

À frente de Blood Behind Us como ator e produtor, Tanner Beard fala sobre a longa trajetória do projeto, a construção de um thriller de ação marcado por intensidade e humanidade, e o significado de ver o filme ganhar espaço entre festivais e o mercado internacional. Em entrevista, o cineasta também relembra a colaboração com Michael Madsen, destaca a força do elenco e reflete sobre o desafio de sustentar uma história original dentro do cinema independente.

Blood Behind Us chega a Cannes com uma mistura de ação, profundidade emocional e forte apelo comercial. O que te atraiu nesse projeto desde o início?

Uma ótima escrita, quero dizer, que história — e essa história continuou evoluindo ao longo do tempo, já que tantas adversidades foram lançadas contra a produção e o roteiro precisou se adaptar para sobreviver. Então acho que esses personagens tiveram muita sorte de poder ganhar vida com a conclusão desse projeto.

Além de atuar no filme, você também assina a produção. Como foi equilibrar essas duas funções em um projeto tão intenso?

Bem, eu sempre digo que adoro construir os parques de diversão, mas também adoro andar nos brinquedos, então definitivamente não foi a minha primeira vez fazendo isso. Mas, neste filme em particular, meio que pensei em mim mesmo como mão de obra barata, haha. Esse projeto foi feito ao longo de 8 anos, então a única forma de funcionar era se o personagem que eu interpretava continuasse evoluindo, e foi mais por isso que eu fui o protagonista — o que eu adorei e espero que tenha conquistado o público. Mas, como produtor, eu jamais teria me escalado dessa forma se essa tivesse sido minha única função. Hollywood me deu essa de presente neste filme, haha.

O filme ganha ainda mais significado por marcar a última atuação de Michael Madsen nas telas. Como foi dividir esse projeto com ele em um momento tão importante da carreira dele?

Ah, que pergunta difícil, mas sim, acho que há muitos produtores por aí tentando dizer que fizeram o último filme do sr. Madsen. Mas este foi um papel real e significativo para ele — ele disse várias vezes, não apenas para mim, mas também para o diretor Brendan G. Murphy, o quanto sentia em relação à atuação dele nessa história e o quanto queria se entregar a ela. Foi uma colaboração linda, e acho que todos nós ficamos muito tristes ao saber que esse foi o último papel do Mike, mas também muito honrados por poder celebrar uma atuação assim. Sentimos uma grande honra pelo fato de ele ter se importado tão profundamente com essa história.

Jaime King reencontra Michael Madsen pela primeira vez desde Sin City. Como você enxerga a força desse elenco no impacto do filme?

Ótima pergunta. Sim, que privilégio foi estar em uma companhia assim e poder seguir os passos de trazer essas pessoas de volta, lembrando dos meus heróis do cinema do começo da minha vida, como Robert Rodriguez e Quentin Tarantino. Também foi uma grande alegria vê-los trabalhando juntos em cena. Os dois dominavam a tela de maneira impressionante, e foi muito divertido.

Blood Behind Us foi descrito como um thriller de ação com profundidade emocional. Como vocês trabalharam para garantir que o filme não fosse apenas intenso, mas também profundamente humano?

Tivemos uma direção excelente com Brendan e sua equipe. A equipe da Silver Sail Entertainment fez questão de que esse filme fosse realizado com muito amor e compaixão por essa história, porque ele realmente sobreviveu a muitos interrompimentos até ser concluído como longa-metragem. E eu sei que o público não vai entrar na sessão sabendo disso, mas acho que isso dá ao filme algo que muitos independentes não têm como um todo, e talvez isso acabe sendo percebido no resultado final justamente por esse motivo.

Depois da estreia no Dallas International Film Festival e agora seguindo para o Cannes Marketplace, como você sente que o filme está se posicionando diante do mercado e do público?

Ele está encontrando seu caminho com o público que está tendo a chance de vê-lo, porque, veja bem, é difícil para qualquer filme independente realmente explodir. É quase um milagre, na verdade. Então nós só esperamos que o que fizemos como criadores chegue àquelas pessoas que amam histórias novas, reais e originais, porque não existem muitos filmes por aí como Blood Behind Us. Mas você não vai saber disso até assistir e ser impactado por essa narrativa tão única e original.

Como produtor à frente da Silver Sail Entertainment, o que esse projeto representa para você neste momento da sua carreira?

Eu diria que certamente é um marco, mas, mais do que isso, espero que seja uma base melhor para aquilo que estamos trazendo para a mesa em uma indústria muito, muito difícil. E espero que a gente faça parecer fácil criar conteúdo de qualidade, porque essa é a minha definição de profissionalismo.

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