A banda Vespas Mandarinas retorna com toda a intensidade do rock paulista em “Polaroid”, single lançado em 22 de maio pela Marã Música. Com guitarras cruas, letras provocativas e uma atmosfera marcada por inconformismo e liberdade de expressão, a faixa resgata o espírito visceral do grupo ao abordar temas como autenticidade, frustração e a pressão dos tempos atuais. Em entrevista, os integrantes falam sobre a necessidade de fazer um rock sem filtros, o desejo de romper com autocensuras e a vontade de reafirmar que o rock ainda pulsa com força e urgência.
“Polaroid” chega com uma energia de confronto muito direta, quase como uma explosão guardada por tempo demais. Em que momento vocês sentiram que essa raiva precisava ganhar voz agora?
O Grito já tá guardado há muito tempo. Acho que desde a debandada geral na banda e tudo o que passamos depois: Quebra de contrato com a gravadora, Pandemia, Cerceamento das liberdades individuais, Cancelamentos, Patrulhamento da Esquerda, Avanço do Neofascismo de outras ideologias de direita, precarização do trabalho. Trabalhador tá tendo que trabalhar dobrado enquanto a burguesia fica aí fingindo que tá na luta pelos seus direitos. Tudo uma grande hipocrisia.
Vocês falam sobre liberdade de dizer o que se pensa sem medo, inclusive em um tempo marcado por autocensura e receio de cancelamento. O quanto “Polaroid” também nasce como uma reação a esse clima contemporâneo?
Tá todo mundo, no fundo, de olho no poder. Tudo orbita em volta de Sexo, Reputação (Seguidores) & Dinheiro. Alguns fingem que não. Somos um bando de individualistas covardes se escorando no ideal de justiça social. Essa é a nossa bolha! É o que eu percebo, e noto, em silêncio. Polaroid é a câmera da verdade que traz isso à tona e não quer compactuar com a hipocrisia atual e com a indignação seletiva.
A letra traz frases muito fortes, como “A mão que afaga é a mesma que dá a porrada” e “O verdadeiro eu não existe”. O que mais interessava a vocês explorar sobre contradição, frustração e autenticidade humana nessa faixa?
Interessava mandar um grande foda-se pra burguesia que domina a cena do rock brasileiro atualmente.

Musicalmente, vocês definem a canção como rock em estado bruto, sem medo de mostrar raiva. O que essa crueza sonora permite comunicar que uma abordagem mais polida não daria conta?
Permite dizer foda-se sem make up. Verdade nua e crua das ruas de São Paulo na cara dos Hipócritas.
A música vem de uma composição da época de “Animal Nacional”, mas ganha vida agora. O que fez vocês perceberem que essa faixa ainda tinha algo muito urgente a dizer neste momento?
Essa mesma vontade de dizer Foda-se a Burguesia que virou a cena do rock atual no Brasil.
Em um cenário em que o rock muitas vezes parece mais nichado ou contido, vocês falam em “soltar a garganta” e mostrar que o rock paulista ainda pulsa. O que vocês sentem que o rock ainda precisa gritar hoje?
Tudo sempre foi uma questão de poder, ou uma ideia de hierarquia de poder que a gente enxerga dentro da nossa perspectiva político-ideológica e do nosso ambiente social. Todas as nossas escolhas partem daí . Toda a nossa indignação seletiva parte daí. O que a gente mostra ou esconde nas redes sociais tem como base esse filtro.
O rock hoje precisa parar de querer ser bonzinho e quebrar as correntes do Politicamente Correto e das Patrulhas de Esquerda e Afastar-se do Conservadorismo e de qualquer ideologia de direita.
O Rock precisa voltar a ser o espaço da liberdade e do grande FODA-SE.
Mesmo com todo o peso e a fúria da música, há também um humor muito vivo na forma como vocês falam do clipe e do processo criativo. Essa mistura entre tensão e ironia também é uma marca importante da banda?
Totalmente. A gente gosta de ter a liberdade e falar mal de quem a gente quiser. A gente não compactua com tapinhas no ombro nem sorrisinho amarelo que comanda a cena do rock atual que não tira onda com nada e com ninguém.
Se “Polaroid” funciona como uma espécie de declaração de princípios, o que vocês mais gostariam que o público sentisse ao ouvir a faixa pela primeira vez: identificação, desconforto, catarse ou vontade de gritar junto?
A gente espera que o mundo seja melhor e que ninguém venha nos dizer que é o lado bom da história. No fundo a nossa sociedade se transformou num mundo de individualistas covardes se escorando no ideal de justiça social, mas tá todo mundo só querendo ir atrás da própria vantagem. Então grite com a gente a verdade sem medo: E faça SEXO. Faça muito SEXO cantando nossas músicas, Ganhe dinheiro, ganhe muito dinheiro e gaste tudo com a gente. Acumule seguidores, muitos seguidores e traga-os pra gente.
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