[in] DEFENZA transforma caos contemporâneo em crítica social no álbum O Parasita da Galáxia

Luca Moreira
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[in] DEFENZA
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A banda [in] DEFENZA lança, no dia 30 de maio, o álbum O Parasita da Galáxia, trabalho que une peso, melodia e crítica social em uma narrativa conceitual sobre os rumos da humanidade. Com influências do punk, hardcore, metal e pop-punk, o disco aborda temas como colapso ambiental, desigualdade, avanço tecnológico e a ilusão de segurança diante de crises globais. Em entrevista, o grupo fala sobre o processo coletivo de criação, a construção de um som visceral e a intenção de transformar inquietações políticas e sociais em música intensa, provocadora e atual.

“O Parasita da Galáxia” parte de uma crítica muito forte à falsa sensação de segurança diante de um mundo em colapso. Em que inquietações de vocês esse álbum começou a nascer?

O álbum nasce da observação do cotidiano, dos noticiários, do cenário político e social em que o Brasil e muitos outros países se encontram, em conflito com uma população omissa, egoísta e constantemente alienada.

Vocês descrevem a abertura do disco quase como uma carta aberta aos governantes e poderosos do planeta. O que mais urgia dizer por meio desse manifesto?

Muitas coisas, essa faixa é a mais curta do álbum mas poderia facilmente ser a mais longa, pois os absurdos são diários e a lista dos destinatários da mensagem é quase interminável. Tentamos manter esse “prólogo” da forma mais lúdica possível, para que fosse geral e direta ao ponto.

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Ao longo do álbum, há um movimento interessante entre reflexões geopolíticas amplas e momentos mais íntimos, ligados à rotina e aos afetos. Por que era importante lembrar, em meio ao caos, que ainda somos todos humanos?

Nos dias atuais, o caos global alimenta o caos mental e vice-versa, é importante termos consciência do que nos faz ser o que somos, a indefenza não é apenas uma banda crítica, somos amigos e tocamos principalmente por diversão, o que fica um pouco difícil quando todas as suas músicas tem essa pegada “pessimista”, mas na vida real temos trabalho, relações e afetos, assim como todo ser humano, e se existe uma crítica, é na intenção de preservar todo esse contexto.

A faixa-título traz a imagem de um sobrevivente vagando por outros planetas em busca de recursos, em diálogo com essa ideia de uma “segunda chance” fora da Terra. O que essa metáfora diz, para vocês, sobre o presente da humanidade?

Essa música traz consigo uma espécie de “previsão”, visto o modus operandi neoliberal reproduzido em grande parte do mundo hoje. É uma forma lúdica de representar o ideal colonialista e explorador (em vários sentidos) que rege a humanidade nos últimos séculos, que deixa o questionamento: Talvez em alguns milhares de anos, podemos ter um de nós invadindo e saqueando recursos de exoplanetas prósperos, mas preferimos estar errados quanto a isso.

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Vocês falam em “desinspiração” ao observar a forma como os poderosos lidam com desastres, destruição ambiental e corrida espacial. Como transformar esse desencanto em criação sem perder a potência artística?

Acreditamos que esse “desencanto” é justamente o que dá significado para cada música, é o senso de urgência que torna tudo mais dinâmico e visceral, são justamente as decepções cotidianas que trazem a necessidade de fazer letras incisivas e instrumentais enérgicos.

Sonoramente, o disco parece equilibrar peso, melodia, velocidade e um vocal muito visceral. Como vocês constroem esse som para que ele não apenas acompanhe, mas amplifique a força do discurso?

Isso vem das diferentes influências que temos entre nós, desde o hardcore tradicional ao pop-punk, inúmeras vertentes do rock e metal, hip hop e até um pouco de shoegaze, cada um traz sua bagagem musical e lapidamos juntos, na tentativa de dar identidade, potência e originalidade. Esperamos ter conseguido!

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Parte das músicas ficou engavetada por anos, enquanto outras nasceram já no processo do álbum. O que esse encontro entre composições antigas e novas revela sobre a trajetória e a maturidade da banda?

Se você parar pra escutar nosso primeiro EP “Animais Vagando no Espaço”, vai perceber que a música mais curta, é mais longa do que a música mais longa do novo álbum, essa é a principal diferença entre os trabalhos mais antigos e mais novos. Viver no que é chamada a “economia da atenção”, nos fez entender que para propagar a mensagem, precisávamos ser muito mais diretos.

Em meio a tantas críticas sociais, tecnológicas e existenciais, o disco também soa como um convite à reflexão. Quando alguém terminar de ouvir “O Parasita da Galáxia”, o que vocês mais gostariam que permanecesse: incômodo, consciência, identificação ou vontade de reagir?

Um pouco de todas essas coisas, acreditamos que o coletivo se faz de indivíduos, então toda a sociedade é formada por bilhões de cérebros, se pudermos causar sinapses e criar um pouco de consciência e vontade de reagir em cada pessoa que nos escutar, já estamos cumprindo boa parte da missão.

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