Com uma carreira em ascensão entre os videogames e o cinema, Marta Svetek vem se consolidando como uma intérprete versátil em franquias de grande alcance e em novos projetos independentes. Em entrevista, a atriz eslovena fala sobre a emoção de transformar sua paixão por games em profissão, a liberdade criativa da captura de movimento e a forma como sua trajetória da Eslovênia a Londres ajudou a moldar uma artista movida por imaginação, disciplina e ambição.
Você construiu uma carreira muito interessante entre videogames e cinema. Como foi perceber que os games poderiam se tornar não apenas uma paixão, mas também um caminho profissional tão importante na sua vida?
Tive um momento específico em que tudo caiu a ficha. Nós tínhamos acabado de terminar a calibragem do sistema de captura de movimento, e eu me virei para a tela de pré-visualização ao vivo, onde eles tinham carregado o modelo da personagem Eris Morn no meu rig. Eu me movia, ela se movia. Estávamos fazendo as cenas cinematográficas de Destiny 2: The Witch Queen (descanse em paz).
Eu já tinha jogado mais de 2.000 horas desse jogo naquele ponto. Tinha passado centenas de horas com aquela personagem. E agora eu estava a incorporando. Eu era a próxima pessoa a trazê-la à vida. Obviamente, alguém estava cortando cebolas ali perto, porque meus olhos definitivamente não estavam secos.
Minha paixão por games reflete a de milhões de fãs ao redor do mundo. Poder transformar essa paixão em carreira? Obviamente, sou a garota mais sortuda do mundo.
Seu trabalho em franquias como Five Nights at Freddy’s, VALORANT e Battlefield te conectou a públicos globais extremamente apaixonados. O que significa para você fazer parte de universos tão importantes para os fãs?
É um privilégio enorme. Ser bem recebida por essas comunidades, saber que o que eu expressei na minha performance teve um impacto positivo, é o maior reconhecimento que eu poderia receber como atriz — e eu nunca tomo isso como algo garantido. Quero dizer, que sonho é poder me conectar de forma tão profunda com tantas pessoas!

A captura de movimento exige imaginação, precisão e entrega emocional em circunstâncias muito particulares. O que mais te fascina nessa forma de atuação?
Na captura de movimento, você trabalha dentro de um conjunto específico de limitações técnicas, com pouquíssimos objetos de cena e sem figurino ou cenários construídos, e ainda assim, para mim, essas são algumas das circunstâncias mais libertadoras de qualquer parte do meu trabalho. É quase pura imaginação. Não importa muito como você é na vida real. O seu tipo de escalação não fica limitado pela sua aparência. Você pode se expandir criativamente o tempo todo e incorporar a maior variedade possível dos personagens mais extraordinários. O que poderia ser melhor do que isso? Se você tem uma imaginação forte, você floresce dentro desse espaço.
Você já disse que a captura de movimento é uma das formas mais puras de atuação. Como essa experiência moldou a maneira como você aborda personagens no cinema?
Ela me deu permissão e confiança para explorar muito além das escolhas mais óbvias. Fazer escolhas mais ousadas, realmente assumir o comando da construção da minha personagem. Meu trabalho como atriz é acrescentar algo à personagem que está no papel e apresentar opções e interpretações que o roteirista ou o diretor talvez não tenham pensado. Obviamente, nem todas as escolhas são sempre as certas, mas quando tudo se encaixa e você tem aquele momento de “ahá” com seu diretor e/ou com os colegas de elenco, isso é pura magia.

Sua trajetória vai da Eslovênia para Londres e agora alcança grandes franquias e produções internacionais. Que impacto esse caminho teve na artista que você se tornou?
Os eslovenos são, antes de tudo, trabalhadores e pés no chão. Se você quer alguma coisa, trabalha todos os dias por isso. E, se em algum momento começar a se achar demais, geralmente não faltam pessoas para te lembrar de manter a humildade. Essas duas coisas se tornaram parte fundamental da minha abordagem em relação a essa carreira e ao reconhecimento crescente. Cheguei até aqui com alguma dose de sorte, sim, mas principalmente com muito trabalho duro — e sem nunca fugir disso. Eu não me vejo como alguém que tem direito a qualquer coisa e sinto uma profunda gratidão quando me é dada a oportunidade de trabalhar em um projeto, especialmente quando vejo que algo que criei significou alguma coisa para alguém. Que melhorou o dia dessa pessoa. Eu não saberia fazer isso de outro jeito.
Além dos games, você também está expandindo sua presença no cinema com títulos como I Am Rage, Savage Prey e The Death of Us. O que mais te empolga nesta fase da sua carreira diante das câmeras?
Nunca houve um momento mais empolgante para estar no cinema independente, e ser agora confiada com papéis principais é realmente a realização de um sonho. Há histórias extremamente empolgantes sendo contadas. Sinto que, com a quantidade e a qualidade dos filmes independentes que estão sendo lançados hoje em dia, estamos realmente construindo a próxima onda de propriedades intelectuais que vão marcar as gerações futuras. Quem sabe, talvez o próximo Star Wars esteja logo ali na esquina? Estar em uma posição em que as produções são tão criativas, enquanto sou reconhecida como uma atriz capaz de sustentar um papel principal, é uma sensação maravilhosa. Mal posso esperar para continuar trabalhando no maior número possível de novos projetos!

Você mencionou querer explorar universos como Fallout ou Warhammer 40k. O que mais te atrai nessas histórias maiores que a vida e que tipo de desafio artístico você ainda sonha em viver?
Metade do tempo eu já estou mentalmente DENTRO dessas histórias maiores que a vida, haha! Sempre fui uma sonhadora, absorvendo esse tipo de narrativa na maior quantidade possível. A imaginação colocada na fantasia e na ficção científica na literatura, no cinema, na TV e por aí vai é nada menos do que mágica — e eu sei que a maioria das pessoas que encontro nas convenções vai concordar. Quer dizer, basta olhar o tamanho das filas em qualquer encontro do Brandon Sanderson! Mas, mais do que isso, quando me tornei atriz, percebi que minha energia e minha presença realmente combinam com esses universos. Elas preenchem esse espaço. Acredito que isso também explica por que tive tanto sucesso nos videogames. Os personagens e as apostas nos games sempre tendem a ser maiores.
Quanto aos desafios artísticos, existem muitos. Quero estrelar um jogo altamente cinematográfico — essa mistura perfeita entre cinema e games. Adoraria fazer parte de uma propriedade intelectual de fantasia em que eu pudesse usar meu amor por cavalgar e por espadas (tragam de volta a captura de movimento com cavalos!). Ou sair na mão em uma história cyberpunk sombria. Adoraria mergulhar no descontrole e interpretar uma vilã horrivelmente ostentosa. Eu faria praticamente qualquer coisa para um dia trabalhar com Ralph Fiennes. Também adoraria dirigir um dia. E muito mais!
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