Alana Ferri celebra chegada de C.I.C. – Central de Inteligência Cearense ao Globoplay e aposta em personagens que rompem estereótipos

Luca Moreira
8 Min Read
Alana Ferri
Alana Ferri

Recém-chegado ao catálogo do Globoplay, C.I.C. – Central de Inteligência Cearense apresenta a atriz Alana Ferri como Mikaela, uma agente secreta que combina habilidade em cenas de ação, humor e inteligência em uma trama dirigida por Halder Gomes. Para construir a personagem, a atriz mergulhou em uma intensa preparação que incluiu treinamento físico e o aperfeiçoamento do sotaque argentino, reforçando seu compromisso com a autenticidade em cena. Em entrevista, Alana fala sobre os desafios do filme, a busca por personagens femininas mais complexas, a conciliação entre a carreira artística e o empreendedorismo voltado ao público feminino, além dos próximos passos de uma trajetória marcada pela criatividade dentro e fora das telas.

Mikaela, em “C.I.C. – Central de Inteligência Cearense”, é uma agente secreta que luta, dança tango, preserva disfarces e ainda transita entre ação e humor. O que mais te encantou nessa mistura de força, inteligência e comicidade da personagem?

O que mais me encanta é justamente algo que também relaciono com a minha vida pessoal. A Mikaela pode ser forte, inteligente, corajosa e, ao mesmo tempo, ter comicidade e leveza. Assim como ela, eu posso ser empresária, empreendedora e atriz, atuando em diferentes áreas sem precisar escolher apenas uma.

Alana Ferri
Alana Ferri

Você comentou que queria ir além dos estereótipos tradicionalmente associados às personagens femininas em filmes de ação. Que tipo de mulher você queria colocar em cena por meio da Mikaela?

Uma mulher que não se cala, que luta pelo que quer e pelo que acredita. Uma princesa que não precisa ser salva. Gosto de reforçar essa ideia de abraçar tudo, sem precisar escolher entre uma coisa e outra. A Mikaela pode ter características tradicionalmente associadas às personagens femininas dos filmes de ação, como sensualidade e magnetismo, mas sem ocupar o lugar de acessório, de interesse romântico ou sexual de alguém. Ela não se resume a isso. É uma mulher que se salva, salva outras pessoas e faz as coisas por si mesma.

Alana Ferri
Alana Ferri

A preparação para o sotaque argentino parece ter sido quase uma investigação própria: conversas, viagem, observação e muitas horas de séries. Como esse mergulho no idioma ajudou você a encontrar a personagem por dentro?

Um novo idioma abre espaço para descobrirmos outras formas de nos comunicar, e isso ajuda a construir uma identidade, até mesmo no âmbito pessoal. No profissional, atuar em outra língua cria um distanciamento da forma como normalmente nos comunicamos na nossa língua nativa. Para mim, isso acabou se tornando uma ferramenta de criação e foi muito importante para encontrar a personagem.

Alana Ferri
Alana Ferri

O resultado do sotaque ficou tão convincente que algumas falas precisaram ser redubladas para facilitar a compreensão do público. Como foi lidar com esse detalhe curioso de uma preparação que funcionou “até demais”?

Foi desafiador, porque era um resultado que eu trabalhei muito para alcançar. Eu queria que as pessoas assistissem ao filme sem saber se eu era brasileira ou argentina, e isso realmente aconteceu, mesmo nas cenas redubladas.

Na dublagem, mantive a embocadura do sotaque argentino ao falar em português para que o resultado não destoasse das cenas. Tive uma repercussão muito positiva, mas foi um desafio rever esse trabalho e fazer essa adaptação.

De qualquer forma, faz parte. Precisamos estar preparados para lidar com essas situações. Foi a minha primeira experiência de dublagem e procurei fazer tudo o mais próximo possível do que havia sido gravado originalmente. Redublei cenas de luta, então também houve um trabalho corporal, de respiração e interpretação, para que tudo ficasse natural, crível e alinhado às imagens.

Alana Ferri
Alana Ferri

A Mikaela também te levou ao Taekwondo, prática que você pretende continuar até a faixa preta. O que essa preparação física deixou em você para além do filme?

Eu já tinha uma boa preparação física antes do filme, e isso foi um dos fatores que me ajudaram a conquistar a personagem, pela minha consciência e mobilidade corporal. Mas a preparação específica para as cenas de luta me deixou, principalmente, uma vontade enorme de fazer mais filmes de ação. Gostei muito dos treinos, das cenas de luta e dessa experiência. Foi isso que ficou de mais forte para mim.

Alana Ferri
Alana Ferri

Fora das telas, você criou o Vulva Feminist Club, com hostel e agência de viagens voltados exclusivamente para mulheres. Em que ponto da sua trajetória artística e pessoal nasceu essa necessidade de construir espaços seguros?

Espaços seguros para mulheres são necessários no mundo em que vivemos. Fico muito feliz por facilitar que tantas mulheres façam sua primeira viagem sozinhas, aprendam um esporte novo ou conheçam lugares com os quais sempre sonharam.

Empreender sempre foi um desejo meu, mas não necessariamente nesse segmento. Tudo aconteceu de forma muito natural. Primeiro surgiu o hostel, depois a agência, e o projeto foi crescendo. Hoje, quando olho para trás, vejo que tudo fez sentido.

Você fala sobre mulheres precisarem “bancar a segurança” que tantas vezes tentam tirar delas. Como o empreendedorismo se tornou, para você, uma forma de liberdade, criação e também resistência?

Realmente relaciono essas três palavras ao empreendedorismo. A liberdade vem de ter construído uma segurança financeira com as minhas empresas, o que me permite continuar investindo na minha carreira de atriz.

A criação está presente em todo o processo. Desde a ideia dos negócios até o desenvolvimento da identidade visual, da marca, da reforma do hostel, da criação dos espaços, das mensagens espalhadas pelo ambiente, dos roteiros das viagens e da experiência oferecida às mulheres. Tudo passou por mim e exigiu muita criatividade.

E a resistência está na própria existência desses negócios voltados exclusivamente para mulheres, criando espaços seguros. O nome “Vulva” também carrega esse significado. É uma palavra que foi historicamente silenciada e invisibilizada, assim como a própria representação dessa parte do corpo feminino, ligada ao prazer da mulher e não à reprodução ou ao prazer masculino. Existe um propósito nessa escolha, e acredito que isso também seja um ato de resistência.

Sua trajetória reúne atuação, influência, negócios, viagens e projetos com propósito. Hoje, quando olha para tudo isso, sente que a criatividade é o fio que conecta a Alana atriz e a Alana empresária?

Com certeza. Acho que a criatividade é o que une a Alana atriz, a Alana empresária e a Alana como pessoa. Gosto de agir de forma criativa em todos os aspectos da minha vida, não apenas no trabalho, mas também na vida pessoal.

Acompanhe Alana Ferri no Instagram

TAGGED:
Share this Article

Você não pode copiar conteúdo desta página