Depois de construir sua identidade no underground, passar pela Warped Tour e ajudar a explorar uma sonoridade que mais tarde seria reconhecida como trap metal, Lucifena inicia agora o maior capítulo de sua trajetória. Como primeira artista feminina de rock da Young Money, a cantora prepara o álbum WARZONE, projeto que atravessa shoegaze, hardcore, rock alternativo, metal, pop e rap sem abandonar aquilo que ela considera essencial: “Independentemente do gênero que eu faça, sempre vai soar como Lucifena”.
Em entrevista, a artista fala sobre a evolução apresentada em “IT’S YOU”, relembra a sensação de fazer história ao unir seus vocais hardcore a Lil Wayne em “Tyrant” e reflete sobre os anos em que se sentiu subestimada como uma jovem mulher fazendo música pesada. Lucifena também revela que WARZONE nasceu de guerras pessoais, conflitos internos, acontecimentos ao redor do mundo e da própria sensação de batalha dentro da indústria musical — transformando o álbum em uma declaração de sobrevivência, transformação e vitória.
WARZONE marca seu álbum de estreia pela Young Money e apresenta você como a primeira artista feminina de rock da gravadora. O que esse momento representa depois de tantos anos construindo sua identidade no cenário underground?
É um grande momento! Quero levar o meu gênero para um novo nível e fazer aquilo que ainda não foi feito no espaço underground.
Estar em uma gravadora como a Young Money faz parecer que o céu é o limite e, com este álbum, estou trazendo uma variedade de novos sons.
“IT’S YOU” será lançada juntamente com o anúncio do álbum. Por que essa foi a música certa para apresentar oficialmente sua nova era e que parte de você existe dentro dela?
“IT’S YOU” é uma das minhas favoritas de WARZONE e definitivamente mostra a minha evolução.
A faixa tem uma vibe pop, mas ao mesmo tempo alternativa e cheia de atitude, e ainda traz os meus gritos característicos aparecendo ao longo da música.

O projeto combina shoegaze, hardcore, rock alternativo, metal, pop e rap. Como você garante que essa combinação continue sendo uma expressão autêntica da sua história, em vez de simplesmente uma mistura de gêneros?
É autêntico para mim porque, independentemente do gênero que eu faça, sempre vai soar como Lucifena.
Sempre faço questão de incluir elementos fundamentais da minha sonoridade em qualquer projeto, mesmo quando mudo completamente a vibe.
“Tyrant” apresentou sua colaboração com Lil Wayne e gerou bastante repercussão online. Como foi construir essa faixa juntos e o que a presença dele acrescentou à narrativa da música?
Aquela faixa pareceu revolucionária para mim quando ouvi Wayne nela pela primeira vez.
Ter o melhor rapper de todos os tempos em uma música hardcore ao lado de uma mulher latina me fez sentir como se tivéssemos feito história.

Você começou na banda You Only Live Once, fez turnês e se apresentou na Warped Tour. Quais aprendizados daquela fase se tornaram essenciais enquanto você seguia em frente e se reinventava como artista solo?
Aprendi muitas coisas por ter sido subestimada como uma garota jovem fazendo música pesada.
Sempre senti que precisava me esforçar ainda mais do que os homens com quem dividia os shows.
E, conforme fui ficando mais velha, aprendi o quanto era importante evoluir como artista, ter liberdade criativa e crescer como indivíduo.
Você esteve entre as primeiras mulheres a explorar o trap metal e já colaborou com artistas ligados tanto ao rap quanto ao metal. Quais obstáculos enfrentou pelo fato de seu trabalho não se encaixar perfeitamente em uma única cena musical?
Conheci meu produtor, morgothbeatz, quando nós dois ainda éramos jovens e tocávamos em bandas de metal.
Anos depois, nos reencontramos, e ele estava trabalhando com rappers. Isso nos levou a criar nossa primeira música juntos, na qual misturamos beats pesados com gritos e guitarras, e percebemos que tínhamos feito algo completamente diferente do padrão.
Mais tarde, as pessoas começaram a chamar aquilo de trap metal, mas, quando fizemos inicialmente, ainda nem existia um nome para isso.
O título WARZONE sugere conflito, sobrevivência e transformação. Quais batalhas pessoais, criativas ou profissionais atravessam o álbum e como você espera sair dessa “zona de guerra” depois do lançamento?
Ele reflete a maneira como lidei com aquilo que parecia uma guerra na minha vida amorosa, as guerras externas que vejo acontecendo ao redor do mundo e as batalhas internas com as quais tenho lutado.
Também fala sobre essa sensação constante de estar em guerra dentro da indústria musical.
Mas a mensagem geral é: sim, a vida pode parecer uma zona de guerra, mas nós vamos sair por cima dessa porra toda para vencer!
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